Foto: Bi� Barreira

Jorge Felix � jornalista, 40 anos, trabalhou por quase 10 anos no Jornal do Brasil, onde foi rep�rter especial em S�o Paulo, Bras�lia e Rio de Janeiro. Foi editor-assistente de Pol�tica da revista Isto�; colunista do portal AOL, rep�rter de economia dos telejornais Bom dia, Brasil e Jornal da Globo e coordenador de produ��o do Jornal Nacional. Na Editora Globo, foi um dos criadores da revista Quem, da qual foi redator-chefe. Na TV Cultura, implantou e coordenou o N�cleo de Comunica��o da Funda��o Padre Anchieta. Foi s�cio da editora Barcarolla. Desde abril de 2006, integra o staff de editores da Letras&Lucros. Tamb�m escreve nas revistas Update (Amcham), ValorInvest e no jornal Valor Econ�mico.

05/08/2009 23:26

Financeirização, a palavra proibida

Duas notícias econômicas, divulgadas nas últimas semanas, causaram indignação, sobretudo entre aqueles que perderam dinheiro com a crise financeira. Uma delas foi o anúncio pelo Goldman Sachs de lucros trimestrais recordes e uma suposta obrigação legal de distribuí-los em forma de generosos bônus aos seus executivos. A outra foi a descoberta, pelo The New York Times, de que o mercado de hipotecas nos Estados Unidos assiste as mesmas corretoras fabricantes de empréstimos “subprime” darem um jeitinho de continuar atuando no mesmo ramo e com os mesmos riscos. A primeira vista estas são notícias negativas, mas, talvez, convençam aqueles economistas ainda reticentes a aceitar a tese da “financeirização” de que está aí o epicentro da crise e, provavelmente, sua solução.

Durante os anos de liberalização, desregulamentação e especulação bem-sucedida, o mercado financeiro viveu sua maior hipertrofia e promoveu uma punção de riqueza da economia real num nível muito superior ao que ela, na realidade, podia dar. Neste período, a palavra “financeirização” estava proibida. “Coisa desses economistas franceses!”, diziam os críticos. A rejeição ao termo, claro, era poluída por um tom ideológico. Afinal, aceitar a ‘financeirização’ era acatar o conceito de “capital fictício”, que só está em Karl Marx. A tese de que o mercado financeiro havia extrapolado suas funções dentro do capitalismo e estaria agora prestando um desserviço - em vez de auxilio – ao processo de produção era negada sistematicamente pelos defensores do liberalismo.

Mesmo alguns economistas keynesianos, agora tão em moda, eram cautelosos em aceitar esta tese. Pois bem, esse pode ser o lado positivo daquelas notícias aparentemente negativas. Em uma de suas recentes colunas, o prêmio Nobel Paul Krugman escreve: “Na geração passada, a economia americana foi ‘financeirizada’. As atividades que consistem em movimentar, fatiar, picar e reembalar operações de crédito adquiriram uma extraordinária importância em comparação com a produção concreta de coisas úteis”. Mesmo em se tratando de Krugman, é uma mudança e tanto no entendimento teórico da crise. Aos poucos, descobre-se que a economia, no século XXI, está viciada na “financeirização” e terá dificuldades para funcionar de outra forma.

Mas, de novo, há um problema. Na onda da negação da tese, as faculdades de Economia – exceção às poucas heterodoxas que sobraram no mundo – abandonaram o ensino desta teoria (Marx ou Keynes sequer são lidos em muitas graduações) em benefício ao aprendizado de modelos matemáticos do equilíbrio geral. Até a revista The Economist constatou isso em sua recente reportagem de capa. Ou seja, em meio à tímida retomada, o mundo financeiro vai retornando às causas da crise pelo simples fato de ainda não conseguir – ou não querer - entendê-la por completo.

(Artigo publicado na revista IstoÉ Dinheiro - 25 de julho de 2009)


enviada por Jorge Felix






Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)
Blog do Jofe - Todos os Direitos Reservados