Foto: Bi� Barreira

Jorge Felix � jornalista, 40 anos, trabalhou por quase 10 anos no Jornal do Brasil, onde foi rep�rter especial em S�o Paulo, Bras�lia e Rio de Janeiro. Foi editor-assistente de Pol�tica da revista Isto�; colunista do portal AOL, rep�rter de economia dos telejornais Bom dia, Brasil e Jornal da Globo e coordenador de produ��o do Jornal Nacional. Na Editora Globo, foi um dos criadores da revista Quem, da qual foi redator-chefe. Na TV Cultura, implantou e coordenou o N�cleo de Comunica��o da Funda��o Padre Anchieta. Foi s�cio da editora Barcarolla. Desde abril de 2006, integra o staff de editores da Letras&Lucros. Tamb�m escreve nas revistas Update (Amcham), ValorInvest e no jornal Valor Econ�mico.

24/06/2008 23:47

Dona Ruth: estudiosa da imigração japonesa

Se o príncipe Naruhito fosse avisado a tempo da morte de Dona Ruth bem que poderia ir ao enterro. Ela merecia. Seu principal legado acadêmico é o trabalho sobre a imigração japonesa “Estrutura familiar e mobilidade social – um estudo dos japoneses no estado de SP”.

Nenhum telejornal da noite lembrou esta coincidência: sua morte ocorrer justo durante a visita real e no ano do centenário.

No entanto, o melhor de dona Ruth foi seu posicionamento político. Sua postura diante do poder. Sua distinção do público e do privado, que todos testemunhamos durante os anos FHC em Brasília e em inúmeras viagens ao exterior.

Em seu trabalho, a antropóloga destacou a importância econômica dos imigrantes japoneses – a despeito de apenas 192 mil pessoas chegarem ao Brasil até 1952. Seu livro mereceu uma edição trilíngue em 1998.

Como pesquisadora, dona Ruth mostrou como, apesar de obterem uma mobilidade social importante, os imigrantes japoneses – ou descendentes destes – apenas trocaram as profissões agrárias de seus pais e avós por modestas posições nos serviços e no comércio urbanos. Era quase uma denúncia.

O trabalho – tese de doutorado de dona Ruth – influenciou o intelectual Fernando Henrique e chamou a atenção deste para o problema dos imigrantes japoneses, que, a despeito da importância econômica para o estado de São Paulo, como mão-de-obra qualificada eram presos e punidos socialmente por insistirem, com todo o direito, de manter suas tradições. Isso era um fato que os excluía de certa forma – e ainda os exclui de maior mobilidade social na sociedade brasileira.

Em 1985, Fernando Henrique faz palestra sobre o tema na III Convenção Panamericana Nikkei, em São Paulo, usando muito do trabalho da mulher, escrito ainda na década de 1970.

P.S. Agradeço aos leitores que corrigiram bicentenário. É que escrevi tanto sobre o bicentenário da chegada da família real,que me confundi. É claro que é centenário e já corrigi. Obrigado.

enviada por Jorge Felix






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