26/03/2007 17:31
O novo jornal e sua multidão de fontes
Nem precisa Robert Cauthorn, pioneiro na internet, nos alertar em propícia entrevista publicada no caderno Mais! da Folha de S. Paulo de ontem, sobre a ameaça de desaparecimento dos jornais impressos. O modelo está desnutrido.
Quem escreve para jornal e internet pode medir precisamente o índice de leitura e de repercussão - de cada formato. Mesmo a televisão, dependendo do índice de audiência, tem demonstrado pouco fôlego para competir com a web.
No Brasil, as maiores cidades do país Rio de Janeiro e São Paulo são pequenas para comportar o número de títulos do passado. Cauthorn afirma que os jornais impressos vão se tornar anacrônicos a partir do momento em que houver ampla disponibilidade de telas de alta qualidade e baixo preço e quando as conexões de banda larga e sem fio se generalizarem. Isso deve acontecer em menos de cinco anos nos EUA. Duvido que os jornais impressos ainda sejam diários, afirma.
Essa foi apenas mais uma informação divulgada nos últimos dias a colocar os jornais na berlinda. Os sites especializados em mídias e blogs estão repletos desta reflexão, acalorada a cada divulgação de nova estatística de circulação dos diários. Em uma coisa, independentemente de concordar ou não, com suas previsões, Cauthorn está correto: o desafio é grande e o jornalismo vive um momento apaixonante. O maior deles é, sem dúvida, a maximização da democracia imposta pela web. As informações sobre a revolução no mercado, num primeiro momento, podem parecer ruins para o jornalismo. Ledo engano.
Um novo jornalismo está nascendo com esta revolução. Um jornalismo obrigatoriamente mais verdadeiro, mais plural e menos manipulável. Não haverá mais espaço para direcionismos. Se alguns ainda têm esta esperança, ou o praticam, estão perdendo o jogo empresarial. E irão perder ainda mais. Esta é a maior inovação em curso. O leitor pode até satisfazer-se com aquela informação que vai ao encontro de sua demanda opinativa. Mas a credibilidade, a força e o poder dos novos tycoon que surgirão irão depender da aprovação do maior número de cidadãos-vigilantes fortalecidos pelas ferramentas oferecidas pela web.
(É por isso que nada temos a temer sobre esta idéia completamente esdrúxula de tevê oficial).
Este é um novo dia, de um novo tempo, no qual a notícia será de todos. Segundo Cauthorn, a hard-news (o noticiário) será uma exclusividade dos jornais na internet. Ao formato impresso caberá a análise. Se é assim, o leitor aceitará apenas o que quer, porque a informação na web já está sendo feita pelo próprio internauta. Sob o título Uma história de todo mundo, o jornal The New York Times mostrou, no dia 19, como vários jornais americanos estão reformulando a captação de notícias.
As redações estão ganhando nova função. Serão apenas um filtro das notícias on line postadas pelos leitores - tal como o IG faz com o Minha notícia.
Novos cargos surgem nesta estrutura, como o de diretor de verificação de informações. Uma das funções do repórter, a de checar a informação, ganha um enorme potencial. O leitor, como fonte, ganha poder sobre a repercussão do jornal, a credibilidade do veículo e, conseqüentemente, o valor de suas ações no mercado. Aos jornalistas, como diz Jeff Howe, um dos criadores do termo crowdsourcing (multidão de fontes), caberá a tarefa de renovar-se a cada dia. Pois o leitor, exigirá cada vez mais isso.
enviada por Jorge Felix
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(O que é isso?)