Foto: Bi� Barreira

Jorge Felix � jornalista, 40 anos, trabalhou por quase 10 anos no Jornal do Brasil, onde foi rep�rter especial em S�o Paulo, Bras�lia e Rio de Janeiro. Foi editor-assistente de Pol�tica da revista Isto�; colunista do portal AOL, rep�rter de economia dos telejornais Bom dia, Brasil e Jornal da Globo e coordenador de produ��o do Jornal Nacional. Na Editora Globo, foi um dos criadores da revista Quem, da qual foi redator-chefe. Na TV Cultura, implantou e coordenou o N�cleo de Comunica��o da Funda��o Padre Anchieta. Foi s�cio da editora Barcarolla. Desde abril de 2006, integra o staff de editores da Letras&Lucros. Tamb�m escreve nas revistas Update (Amcham), ValorInvest e no jornal Valor Econ�mico.

01/09/2008 14:59

O que faz uma cidade saudável para os idosos?

Qual a melhor cidade para se morar depois dos 60 anos? O que faz uma cidade saudável? A AARP, associação dos aposentados dos Estados Unidos, todos os anos, divulga uma pesquisa sobre as condições de vida nas cidades americanas para os idosos.

A vencedora deste ano foi Ann Arbor, no Michigan. Leia a matéria na aba Longevidade, clicando na palavra logo aqui em cima.

Um dos parques da cidade e sua localização:









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30/08/2008 16:39

E se McCain ainda fosse assim?




McCain aos 34 anos


Os 72 anos de John McCain são um dos assuntos principais da eleição americana. A idade avançada pode trazer votos da população idosa dos Estados Unidos ou o candidato republicano sofrerá com o "ageism", o preconceito aos mais adultos? The Economist foi ouvir o médico Robert Butler, presidente do International Longevity Center, já entrevistado aqui no blog.

Leia o resumo da entrevista na aba Longevidade, clicando na palavra aqui em cima ou no link:

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19/08/2008 18:08

República de idosos, nova moda na Europa

Inspirados no filme "Albergue espanhol", uma ode à co-habitação estudantil, os idosos europeus estão recriando as repúblicas e optando por dividir imóveis à morar em asilos, sozinhos ou na casa de filhos.

A moda já é um grande negócio para a construção civil e para uma rede de serviços criados só para atender a este novo tipo de moradia.

Leia agora clicando na palavra Lonevidade aí em cima ou no link:
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18/08/2008 11:00

Fogo no Cultura piora apagão de teatros

O incêndio no Teatro Cultura Artística aumenta ainda mais a carência de salas de espetáculos em São Paulo, um poblema que está prejudicando a produção artística na cidade e afeta diretamente o turismo.

Leia agora o post clicando na palavra teatro, aqui em cima.

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14/08/2008 19:02

Ministro da Cultura acha que livro é caro

Hoje pela manhã, na abertura da 20ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, disse a uma platéia lotada de livreiros que o governo esperava a redução do preço do livro.

O ministro, assim, junta-se àqueles que acreditam mesmo que o livro no Brasil é caro.

Não é.

O tom do ministro foi de um puxão de orelhas no setor editorial, que recebeu isenção fiscal total há três anos e nunca cumpriu a contrapartida de depositar 1% do faturamento no fundo de incentivo à leitura. Mas Ferreira não foi tão explícito. Deveria ter sido.

Pesquisas revelaram que o valor do livro até caiu um pouquinho. Sem falar em novas investidas das editoras em edições de bolso.

No entanto, de lá para cá muita coisa mudou no mercado editorial. A principal delas foi a invasão das grandes multinacionais, sobretudo espanholas.

A despeito de a bienal homenagear a Espanha, o idioma oficial do mercado de livros brasileiro hoje é o espanhol. Isso tem um lado bom e um lado péssimo, como tudo.

O bom é que investimentos são muito bem-vindos num mercado carente como o nosso. Geram mais emprego, dão dinamismo, aliviaram a penúria de escritores etc.

O lado ruim é que, por incrível que pareça, o desembarque das gigantes espanholas encareceu o livro.

A mercadoria livro é única, como se sabe. Em economia, diz-se um bem não-substituível. Isso significa dizer que o livro sofre um outro tipo de concorrência.

Se por um lado, a isenção fiscal poderia diminuir o preço do livro, o aumento da concorrência com as editoras espanholas, principalmente, com montanhas de euros para investimentos em marketing obrigou as editoras genuinamente nacionais a também ampliarem sua verba de marketing. E repassaram esse custo, claro, para os preços.

Com um agravante. As editoras multinacionais, como tudo na economia atual, chegaram aqui com um capital apressado. Devem satisfações emergenciais aos seus acionistas na Espanha ou na França, por exemplo. Foram agressivas na caça de autores nacionais contratados por editoras brasileiras, aumentaram o número de lançamentos agradando livreiros e distribuidores insaciáveis por novidades.

Aí entra outra alteração do mercado editorial brasileiro: uma concentração cada vez maior do mercado de livrarias. A compra da Siciliano pela Saraiva concentrou o raquítico mercado livreiro. A venda do livro é 70% por impulso. O título só vende se estiver em exposição. As grandes redes e os distribuidores, hoje, determinam o funcionamento do mercado.

Portanto, é muito fácil chegar para um platéia, diante das câmeras de tevê, num evento internacional, e reclamar do preço do livro. É preciso dizer que o governo federal faz muito pouco – ou quase nada – para ampliar o número de bibliotecas, por exemplo. Uma secretaria nacional do livro, como o mercado reivindica, apenas dará a alguém um bom emprego na esplanada.

É preciso criar mecanismos para corrigir falhas de mercado. É preciso o governo promover campanhas de valorização da leitura. É preciso convencer o consumidor brasileiro que o livro nunca é caro, se lhe damos o valor que ele merece. Mas, infelizmente, no Brasil, optou-se por valorizar menos a leitura e mais um aparelho de telefone celular. É uma questão de mentalidade.

enviada por Jorge Felix



04/08/2008 14:21

Rede governamental combate violência ao idoso

Leia agora no blog de longevidade, notícia sobre o Obervatório Nacional do Idoso, uma verdadeira rede governamental montada para combater a violência contra a pessoa idosa no Brasil.

Click na aba LONGEVIDADE aqui em cima ou no link:

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enviada por Jorge Felix



30/07/2008 10:47

Doha: Stiglitz concorda com Stephanes

É claro que sempre haverá, como o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, respondeu a Lillian Witte Fibe, no programa Roda Viva, um outro Prêmio Nobel de Economia pregando o contrário. Em Economia é sempre assim. Se houvesse consenso, o mundo e a História seriam outros.

No entanto, a opinião do economista Joseph Stiglitz sobre Doha merece ser conhecida neste momento. E ela é bem mais parecida com a do ministro Reynold Stephanes, da Agricultura, que disse que a rodada de liberalização do comércio mundial não servia para nada do que pela decepção do ministro Celso Amorim, das Relações Exteriores.

Stiglitz, em seu mais recente livro publicado no Brasil, “Globalização – como dar certo” condena veementemente os países ricos, sobretudo os Estados Unidos, por conduzirem as negociações da rodada Doha sob as condições que o Brasil, no fim, aceitou, por medo de ser acusado de enterrar o entedimento e China e Índia resistiram a despeito de qualquer culpa.

Stiglitz lembra que o protecionismo nos Estados Unidos começou em 1789 na primeira reunião do Congresso. Ele aponta ainda que o Nafta significou muito menos para o México do que prometia o discurso de promoção de riqueza por meio do comércio. “A disparidade de renda entre os dois países aumentou em mais de 10% na primeira década do acordo”, escreve. “O crescimento durante a primeira década foi somente de 1,8% real per capita, melhor do que boa parte do resto da América Latina, mas muito pior do que em períodos anteriores ao século 20”.

Para ele, integrante do governo Clinton, a Rodada Uruguai impôs perdas maiores aos pobres do que benefícios e, ao iniciarem a Rodada Doha, “os paises desenvolvidos já tinham em mente um acordo desequilibrado”. É compreensível a posição tolerante do Brasil, do ponto de vista de Stiglitz: na Rodada Uruguai nós saímos ganhando em cima de prejuízos dos outros paises pobres ou em desenvolvimento.

O balanço da rodada Uruguai: 70% dos ganhos foram para paises desenvolvidos – cerca de 350 bilhões de dólares anuais. Embora tenha 85% da população mundial e quase a metade da renda global total, o mundo em desenvolvimento recebeu apenas 30% dos benefícios, e esses benefícios foram principalmente para paises de renda média, como o Brasil.

A avaliação de Stiglitz ganha importância não só por seus conhecimentos econômicos – o que poderia ser comparável, sim, com qualquer outro prêmio Nobel de Economia – mas, principalmente, porque ele é testemunha privilegiada (tanto como assessor de Clinton, como como ex-economista-chefe do Banco Mundial).

Seu relato em tom de confissão de como os Estados Unidos, ou melhor, o lobby dos industriais norte-americanos funciona é chocante. Em sua opinião, os acordos comerciais funcionam até alguém reclamar ao Congresso, aí nenhuma negociação é mais válida.

Nesse ponto, Stiglitz é até irônico e cita o caso das vassouras mexicanas que invadiram os EUA. Os americanos perderiam até 300 empregos! “Acredito que a economia americana é suficiente forte para suportar isso”, brinca. Mas, mesmo assim, as vassouras foram sobretaxadas.

Neste momento, é preciso cuidado também,segundo Stiglitz, porque o caminho que se desenha para o Brasil é o dos acordos bilaterais de comercio. O economista também os condena. Os EUA, segundo ele, conseguiu em acordos bilaterais tudo o que não conseguiu em acordos multilaterais, como liberdade para fluxo de capitais.

Depois de aceitar as condições impostas pelos ricos em Doha, o Brasil sentará à mesa para discutir esses acordos já um grau de admissibilidade muito alto ampliando assim a assimetria bilateral.

enviada por Jorge Felix



29/07/2008 16:57

Cadê a previdência privada?

“Os idosos conhecem hoje no Brasil um bom momento (...). Colhem os frutos do investimento feito em fundos de previdência privada (...)”, afirma a matéria de capa de Veja desta semana “Cadê os bebês?”.

Embora sem novidades, o texto é bastante correto. No entanto, Veja atribui um peso ao sistema de previdência privada que ele não tem hoje no bem-estar do total da população idosa.

É correto dizer que os idosos brasileiros de hoje (10,2% da população) desfrutam de benefícios do passado, mas estes benefícios estão longe de ser provimento do sistema privado de previdência.

Até uma certa faixa da população, esses benefícios são provenientes da presença do Estado nas décadas de 1930 a 1980. Atualmente, o numero de beneficiários de previdência privada ainda é irrisório e o sistema de previdência complementar brasileiro, como sabemos, vive ainda a fase de captação.

Esta afirmação de Veja também despreza a principal característica do envelhecimento populacional brasileiro e que, de forma alguma, podemos perder de vista quando tratamos do tema: a heterogeneidade.

Diz Ana Amélia Camarano, uma das principais autoridades brasileiras sobre o tema em “Os novos idosos brasileiros: muito além dos 60?”:

“Embora de forma desigual, os idosos de hoje foram beneficiados com a redução da mortalidade materna, da mortalidade na meia-idade e nas idades adultas e avançadas. São os grandes beneficiários das ‘pontes de safena’. Sobreviveram às elevadas taxas de mortalidade por doenças infecto-contagiosas na primeira infância. Experimentaram um período de expansão econômica, de emprego estável e formal e do Sistema Financeiro de Habitação, mas que acentuou as desigualdades sociais e colocou a pobreza como foco de preocupação. As relações afetivas também foram mais estáveis: casaram e ficaram casados. A fecundidade era elevada e o papel principal da mulher era o de cuidadora dos dependentes da família. O homem manteve-se como o principal provedor.”

Se esmiuçarmos essa afirmação de Camarano, perceberemos a mão bem visível do Estado nesta conseqüência.

Também podemos citar, a participação da Previdência Social na transferência e distribuição de renda da população como um todo (aliás, citada na reportagem, mas sem descer a detalhes). Segundo pesquisa da Associação Nacional dos Auditores da Previdência Social, realizada em 2004, em 67,85% dos municípios brasileiros o repasse com o pagamento de benefícios e aposentadorias pela Previdência supera o do Fundo de Participação dos Municípios.

Portanto, é necessária uma reforma previdenciaria, sim, mas, volto a repetir, qual reforma?

Aquela que apenas estabelece a idade mínima – que é necessária – mas que mantém uma casta de privilegiados no topo dos rendimentos?

É preciso também, sobretudo em relação à imprensa, ir devagar com o andor da euforia da previdência privada, que será testada apenas quando estiver no momento de pagar os segurados, na fase de descapitalização.

A cobertura da imprensa sobre o fenômeno do envelhecimento populacional também está demasiadamente viciada em atribuir ao Estado apenas a responsabilidade sobre uma reforma da Previdência. É quase uma fixação doentia. As experiências mostram, no entanto, que neste latifúndio a parte estatal será muito maior.

enviada por Jorge Felix



28/07/2008 10:53

Fecundidade em baixa e "idosismo" em alta

Tão logo a professora Elza Berquó, com sua Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS), alertou para o fato de a taxa de natalidade estar caindo mais rápido do que o IBGE pensava, atingindo 1,8 filho por mulher brasileira, e aparecem as visões daqueles que definem o envelhecimento populacional como “crise”, “ônus” da dinâmica demográfica ou a famosa “bomba-relógio” da Previdência e do sistema de Saúde.

Este é um ponto de vista ainda hegemônico, infelizmente, mas brutalmente conservador apesar de compatível com aqueles que comungam com uma política econômica que impede o Brasil de preparar-se para o futuro.

O fenômeno do envelhecimento da população está sendo anunciado há pelo menos 20 anos. O que fizemos de lá para cá? Quase nada. Governo, iniciativa privada, indivíduos e a imprensa, que agora retrata o envelhecimento como crise – fazendo eco à visão catastrofista do Banco Mundial em seu relatório de 1994 “Adverting the old-age crisis: policies to protect the old and promote growth” – pouco fizeram para explicar e entender esta mudança populacional em curso. Por que a previdência chegou a este ponto? Por que a saúde chegou a este ponto?

Antes de explorar melhor esses aspectos, do ponto de vista econômico, um apelo. Agora quando a questão bate à porta das políticas públicas, é preciso cuidado para não direcionar as visões e o noticiário, principalmente, para o que o médico Robert Butler chamou de “idosismo” (“ageism”).

Butler, prêmio Pulitzer e criador do primeiro curso de gerontologia nos Estados Unidos, me disse outro dia que o primeiro sinal de envelhecimento da população de um país é o “idosismo”, caracterizado não só pelo preconceito, mas por atribuir ao envelhecimento um “mal” para toda a sociedade.

Voltando ao debate Saúde e Previdência. Está mais do que provado, por inúmeros trabalhos acadêmicos em diversas universidades do mundo, que envelhecimento não significa obrigatoriamente aumento de gastos na Saúde. Isso implica em investimentos na prevenção de doenças crônicas, obviamente, mas o aparecimento e surgimento delas está desvinculado do envelhecimento.

Isso foi mostrado em 1996 pelo estudo “Persons with chronic conditions” (Journal of the American Medical Association). Doenças crônicas afetam todas as idades. Quanto à longevidade, é preciso saber que estamos vivendo mais e melhor devido aos avanços da medicina.

É preciso, evidentemente, uma reforma da Previdência. Urgente. Mas qual reforma? Quanto o Estado pode transferir de suas responsabilidades ao individuo ou ao setor privado sem correr o risco de ser cobrado, logo adiante? Isso já ocorre na Inglaterra, nos Estados Unidos e, sobretudo, no Chile.

Será que aceitando as condições que agora são impostas ao comércio internacional em Doha, o Brasil está pensando no seu processo de envelhecimento? Será que ao optar pelas condicionalidades do FMI durante todos esses anos, o Brasil pensou neste fenômeno populacional? Como isso tudo afeta o sistema de Previdência e faz com que o Estado seja obrigado a reduzir sua participação nessa campo? É preciso entender que tudo está interligado. Como concluiu Simone de Beauvoir, em seu brilhante ensaio “A velhice”, “é preciso mudar a vida”.

Aqueles que hoje falam do envelhecimento populacional como uma crise e reclamam mais investimentos em saúde para enfrentar esse “ônus” são os mesmos que apoiaram a Lei de Responsabilidade Fiscal. Claro, é preciso impor limites ao gasto público. Mas qual gasto? Qual foi a contra-partida exigida pelos defensores da LRF?

Se o governante não cumpri-la é preso. Mas se não investir em educação e saúde o que determina a Constituição não sofre a mesma penalidade. Se repartir os gastos da CPMF para pagar divida e custeio, deixando à Saúde apenas um naco da arrecadação, nada lhe acontece. Enquanto as coisas funcionarem assim, o envelhecimento populacional ou o que deveria ser uma conquista, a longevidade, será sempre visto como um peso para a sociedade. É tudo uma questão de escolha.

enviada por Jorge Felix



23/07/2008 22:56

Ministro, foi cacetada...e vem mais

Apesar da esperança do ministro da Fazenda, Guido Mantega, veio cacetada. O Banco Central subiu, de uma só vez, frustrando os mais otimistas, a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual. Voltamos a ostentar um dos maiores juros do planeta. E há uma péssima notícia para o ministro Mantega: a surra deve continuar.

Há um alto grau de desconfiança em relação à eficiência dos juros altos sobre esta inflação que está aí, uma inflação que começa importada pelo boom mundial das commodities, pelas mudanças na economia chinesa e também pela demanda interna – é, portanto, uma inflação de alimentos que contaminou toda a economia e, logo, seu fim depende de seu começo.

Tudo é incerto. Mas, seguindo a lógica do Banco Central, de que os juros podem debelar o começo do processo, novos aumentos estarão em curso. Apertar a demanda, mesmo que seja por alimentos é o remédio, na visão do BC. Mas qual alternativa teve o BC, este BC sempre responsável por todos os males da nação? Nenhuma. As alternativas eram do Executivo. Foram as opções de governo que empurraram a situação para esta nova escalada dos juros.

A partir do momento que, ao assumir em 2003, o PT optou pela continuação da política do governo anterior, deveria ter seguido melhor a cartilha, pois, dentro desta “solução de tamanho único”, referendada pelo governo Lula, há poucas alternativas.

Assim, aquela crise internacional, que tanto foi citada pelos analistas por sua ausência durante a Era Lula, pegou o governo pelo pé. Antes de passarmos aos motivos da crise, é bom que se diga que os chamados “economistas vulgares”, como diria Marx. Sempre vão achar a mesma explicação para a crise: ah, o governo gasta muito, aumento a demanda, gasta errado e poderia ter ajudado o BC com uma política fiscal mais austera. Não é disso que vai se falar aqui. O governo gasta pouco diante de um pais com tantas demandas sociais, deveria gastar mais e isso sempre foi dito mesmo pelos monetaristas do governo FHC.

O governo Lula fez uma opção política. A escolha de abrir mão de arrumar a economia. A economia brasileira é como as parceiras de Ronaldo, o Fenômeno. Há muita coisa fora do lugar. Tal qual o jogador, como suspeita-se, o governo deixou-se enganar. Acreditou, desde o começo que, para ser forte, precisava ser mais realista do que o rei. Precisava ser mais ortodoxo do que seu antecessor para se fazer acreditar pelos ah, gentis economicus.

Depois, seguindo muito da orientação do conselheiro Delfim Netto, defensor da política possível, abriu mão de comprar brigas com o Congresso Nacional para promover reformas necessárias para adaptar a economia – repito, já que fez a opção por este modelo econômico, já que avaliou que, parodiando o lema do Fórum Social Mundial, um outro mundo NÃO era possível. Delfim sempre disse a Lula e escreveu que não valia a pena propor reformas que nunca iriam passar por pressão das forças políticas conservadoras. Agora, estamos reféns do tal PIB potencial, que o ex-ministro tanto execra.

Assim, mantivemos uma previdência com os privilégios de sempre. Não está aqui defendendo-se cortes de benefícios, mas este pais tem um sistema absurdamente desigual e cheio de privilegiados que pressionam os custos – a despeito de o sistema promover distribuição de renda. Mantivemos uma legislação trabalhista punitiva para o trabalhador porque o abandona à informalidade – apesar de a formalização está crescendo, mas é desigual e os custos ainda prejudica os investimentos e os trabalhadores com qualificação (como se estes fossem privilegiados e não precisassem de proteção legal ou do Estado). Há ainda inúmeras questões “microeconômicas” fundamentais para o crescimento econômico que foram abandonadas pelo governo.

Por outro lado, o governo Lula atuou nas políticas sociais. A ampliação da cobertura foi significativa em relação ao governo anterior, embora polemica, inatacável diante dos resultados. Mesmo com o gritante aproveitamento político-eleitoral.

O erro aí foi confiar que poderia sustentar o crescimento apenas com o consumo das famílias. Não somos os Estados Unidos. Lá, contrariando M.Friedman, existe almoço de graça, sim. O pais é o mais rico do mundo, tem como sustentar o seu déficit. Ou é sua própria bóia em caso de naufrágio. As intervenções sucessivas do Estado neste momento têm provado isso.

Outros sinais desta economia dessarrumada vêm de longa data. Absolvem em parte o governo Lula. Em parte. A despeito da atuação do governo para melhorar o nível da Educação e as verbas, esta ação é lenta. Há, portanto, um gap em relação à necessidade que afeta as expectativas e desafia até os mais arrojados “animal spirits”. A escassez de mão-de-obra qualificada é hoje um dos maiores desafios para os novos investimentos e para a ampliação das empresas. No ano passado, o Ipea estimou em 193 mil vagas o déficit de pessoal qualificado.

As grandes empresas começam a recrutar engenheiros no exterior. Resultado de décadas de descaso e desprezo com a Educação. O mais cruel é que o trabalhador menos preparado, aquele da base da pirâmide, amarga o desemprego ou o subemprego (apesar de o emprego formal estar em crescimento). A lógica é perversa: para empregá-lo é preciso investimento, para investir é preciso mão-de-obra qualificada, logo, a tendência é de custos maiores para pagar esse produto de luxo.

O entrave da infra-estrutura começa, agora, a repercutir na balança comercial. Pois as famílias brasileiras têm pressa em consumir. Enquanto um país cresce abaixo de seus parceiros comerciais, consegue sustentar essa parceria em suas transações correntes. Isso vinha acontecendo até hoje em relação aos Estados Unidos e outros parceiros.

Quando começa a crescer mais, aproximando-se do percentual de seus parceiros, tem dois caminhos para evitar o desequilíbrio: ou ampliar as condições físicas de produção (infra-estrutura, aumento de produtividade, mão-de-obra) para alcançar um progresso técnico mais rápido; o que foi negligenciado até aqui, ou trabalhar com a taxa de câmbio. Ou ainda aumentar as taxas de juros. Talvez, se pudessem vislumbrar essa armadilha, aqueles que acreditavam que o Brasil era mesmo irmão siamês de Rússia, China e Índia teriam mudado de opinião.

enviada por Jorge Felix



22/07/2008 10:31

Arrecadação, Satiagraha e os ah, gentis economicus!

Durante a divulgação de mais um recorde de arrecadação de impostos, o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, repetiu o discurso de sempre, adotado desde o governo passado: não houve aumento da carga tributária.

O inchaço da arrecadação – que sempre está descolado da performance da economia, ou seja, mesmo em retração há mais pagamento de impostos, seria resultado do rigor da fiscalização. Lembremos que a arrecadação cresceu quando a economia estava branda.

O governo arrecadou no primeiro semestre R$ 327,672 bilhões. E nunca se arrecadou tanto neste país.

Multas e juros cobrados de quem deixou de pagar subiram 60,46% e significariam aí algo em torno de 9,5 bilhões de reais.

A despeito de essa fiscalização incorrer mais intensamente no que diz respeito à previdência (depois da criação da Super-receita), as operações desencadeadas pela Polícia Federal também têm uma participação significativa neste recorde de arrecadação.

É difícil mensurar o que foi resultado de ação da polícia e o que foi ação puramente da burocracia da Receita. Mas há um fator inibidor de ações passadas da Polícia Federal (como no caso Daslu) que podem fazer com que todo um setor, pelo menos, pague mais impostos, embora seja difícil zerar a sonegação.

Logo, quando o governo federal atua tão sem cerimônia, a ponto de o próprio presidente da República descer de sua autoridade para interceder publicamente, diante de câmeras de tevê, contra uso de algemas, “ilações infundadas”, quebra de autoridade, uma suposta venda de “insinuações para a sociedade” por parte de um delegado, para mitigar a rigidez da ação da Polícia Federal está agindo contra sua própria política econômica.

A arrecadação é fundamental neste arcabouço de produzir superávit primário para manter o “estado de confiança” tão exigido pelos agentes econômicos (ou: ah, gentis economicus!).

A ação do governo só tem servido para enfraquecer uma imagem construída pela PF por muitos anos de uma polícia guardiã do esforço fiscal do governo. Sem temor não há quem pague impostos.

A partir do momento que grandes ah, gentis economicus percebem que podem contar não só com habeas corpus de um Judiciário Express, mas com um governo que descredencia sua polícia em um julgamento ex-ante, os motivos para pagar impostos desaparecem já no business plan.

Ocorre que, no governo passado, ao focarem a política de superávit fiscal, os políticos concordaram (sobretudo o PFL do então poderoso Luiz Eduardo Magalhães) que era fundamental uma Receita e uma PF com autonomia para instaurar o “prendo e arrebento” sobre sonegadores. Mas a avaliação era de que eles, os ah, gentis poderosus! conseguiriam controlar essas autarquias. Na época, o PT também aprovava essa caça aos ricos. Havia, entre aqueles que estavam no poder, uma certa garantia de que poderiam selecionar os investigados.

Não contavam com a opinião pública. Esqueceram que o mundo gira. Fingiram não saber onde estavam os sonegadores. Acreditaram-se algozes para sempre.

Cabe, agora, à Polícia Federal reestabelecer-se. Sozinha. Com firmeza e verdade. E, podem acreditar, há delegados preocupados com isso. Mais do que preocupados, agindo. Se não em nome da arrecadação ou da política econômica, ao menos conscientemente, mas em defesa de sua própria missão.

enviada por Jorge Felix



21/07/2008 10:51

País envelhece com mais rapidez do que se previa

Folha de S. Paulo de hoje:

Taxa de natalidade atingiu 1,8 filho por mulher em 2006, nível esperado para 2043

Com cada vez mais velhos e menos crianças, políticas públicas terão que ser revistas para se adaptar à realidade da população

ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO

O envelhecimento populacional brasileiro chegará antes do que se estimava. A divulgação, no início deste mês, da PNDS (Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde) mostrou que o país chegou, em 2006, a uma taxa de fecundidade de 1,8 filho por mulher. O IBGE, em sua estimativa oficial, feita em 2004, previa que esse patamar só seria atingido em 2043.

Nem mesmo projeções da ONU menos conservadoras indicavam uma taxa abaixo de 2,0 antes de 2010. Diante dessa e de outras pesquisas que registraram fecundidade menor, o IBGE revisará suas estimativas.

Mais do que uma simples revisão de um cálculo estatístico, a constatação de que o Brasil terá cada vez mais idosos e menos crianças antes do previsto tem impacto em cálculos de aposentadoria e traz desafios para políticas públicas, que terão que se adaptar a uma estrutura populacional envelhecida.

A demógrafa Elza Berquó, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento e coordenadora da PNDS, lembra que as Pnads (Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílios, feitas anualmente pelo IBGE) já indicavam que a fecundidade caía num ritmo mais acelerado do que o estimado pelo instituto.

Em 2004, a taxa chegou ao nível de 2,1 filhos por mulher, patamar que indica tendência de reposição populacional e que, pelas estimativas do IBGE, só seria atingido em 2014.
"O movimento de transição da fecundidade se iniciou há 40 anos e os dados recentes são coerentes com a série histórica. Não sei por que o IBGE continuou trabalhando com essa estimativa [de queda menor]. Não faço projeções, mas, a julgar por essa tendência, acho que a fecundidade continuará caindo", diz Berquó.

Fernando Albuquerque, que participou da elaboração das estimativas do IBGE, diz que o instituto projetou queda menor porque o Censo de 2000 e a Pnad de 2001 não sugeriam queda acentuada. "As Pnads de 2002 a 2006, no entanto, registraram um declínio mais rápido. Por isso, já estamos revendo a projeção para incorporar os resultados recentes."

O demógrafo José Eustáquio Alves, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE, diz que a queda mais rápida da fecundidade indica que a população começará a diminuir antes. Pela estimativa do IBGE, isso aconteceria somente a partir de 2062. A projeção da ONU com taxas mais próximas das verificadas recentemente, no entanto, aponta que isso deve acontecer já na década de 2030.

O envelhecimento mais rápido que o estimado traz desafios ao país. Um deles é aumentar os investimentos em saúde para atender melhor aos idosos.

Previdência

Outro diz respeito ao equilíbrio das contas da Previdência. Anualmente, quando o IBGE divulga aumento da expectativa de vida, isso altera o fator previdenciário, índice que acaba aumentando o tempo que o trabalhador precisa contribuir com o INSS para se aposentar com o mesmo benefício.

Carlos Guerra, vice-presidente da Federação Nacional de Previdência Privada, diz que os impactos também serão sentidos no setor particular, que poderá absorver mais insatisfeitos com os resultados da Previdência oficial, mas que, igualmente, precisará se adaptar.

"O equilíbrio ideal é ter cinco contribuintes para cada inativo, mas já estamos nos aproximando da situação de um para um", diz Guerra. Segundo ele, planos que garantem renda vitalícia mensal perderão espaço para outros com opção de fazer um resgate maior do benefício.

Apesar dos desafios que a queda mais intensa da fecundidade trará, Eustáquio Alves alerta que não se deve trocar o mito da "explosão populacional" pelo da "implosão populacional". "Não há por que ficar apavorado com a redução da população. Ela pode ser boa ou ruim dependendo de como a sociedade e as políticas públicas respondem a isso."

enviada por Jorge Felix



17/07/2008 14:47

Uma pergunta para os candidatos a prefeito

“Onde estão seu pai e sua mãe?” Esta pergunta está sendo feita aos candidatos a presidente dos Estados Unidos. Todos, inclusive Hillary Clinton durante as prévias, gravaram comerciais ao lado de seus pais para atrair a confiança dos eleitores com mais de 65 anos.

Os democratas fizeram um imenso trabalho prévio com Hillary para garantir parte dos votos dos 37,3 milhões de americanos (12,4% da população) com 65 anos ou mais. Embora ela levasse vantagem nesta parcela do eleitorado em relação a Barak Obama, pesquisas (Zogby) garantiam que 59% do eleitorado idoso jamais votariam nela. De fato, esse eleitor está mais fiel aos republicanos.

A longevidade, definitivamente, passou a ocupar a pauta política. Num país onde a expectativa de vida era de 47 anos em 1900 e hoje bate em 77 anos, no qual a cada 7.6 segundos um americano nascido entre 1946 e 1964 – o famoso babyboom do pós-guerra – chega aos 55 anos, a população idosa dá as cartas no processo político.

Não é exclusividade dos Estados Unidos. É uma realidade mundial. O desafio de Hillary será o mesmo de políticos de muitos outros países, inclusive o Brasil.

E aí envio a minha pergunta para o debate dos candidatos a prefeito de São Paulo. A cidade tem uma população idosa de 9,3% do total de habitantes. Perde apenas para três capitais. Dos paulistanos com mais de 60 anos, 20,3%, a maioria mulheres, vivem sozinhos. São excluídos digitais, com baixo grau de escolaridade (apesar de São Paulo levar vantagem em relação ao país, 4,4 anos de estudo contra 3,4 da média nacional) e, conseqüentemente, baixa empregabilidade depois dos 60 anos.

O idoso de hoje, no entanto, está razoavelmente protegido por uma rede de seguridade social. A preocupação é o envelhecimento populacional acelerado e, diante das condições precárias de educação e saúde, como o poder municipal poderá assumir os desafios para garantir um envelhecimento ativo ao idoso do futuro? Na metade do século, digamos.

É uma pergunta incômoda. A despeito de classe social, o fato de as famílias hoje configurarem-se em pai, mãe e filho, o poder público será cada vez mais chamado a cuidar do idoso do futuro.

Nova Iorque, por exemplo, mantém no site da prefeitura um serviço online para chamados de emergência. Mesmo assim, Robert Butler, em seu livro “The longevity revolution” lembra que na queda das torres gêmeas muitos idosos solitários foram esquecidos até mesmo pelos heróicos bombeiros, enquanto sacrifícios foram feitos para salvar cães e gatos a pedido de seus donos. Este é apenas um detalhe nesta relação entre a cidade e sua nova dinâmica populacional.

Será preciso muito mais. Como vai viver o comércio, de bairro, principalmente, com a dificuldade de acesso, calçadas precárias, sem rebaixamento para cadeiras de roda, por exemplo. Embora o envelhecimento seja cada vez melhor, devido ao avanço da medicina, o idoso precisará de facilidades proporcionadas pelo planejamento urbano.

O Brasil está atrasado neste aspecto. Os candidatos que discordarem podem acompanhar o trabalho de V.G. Rodwin, responsável pelo “The world cities project”, sobretudo no aspecto da saúde pública, ou o projeto “Caregiving América”.

É claro que candidatos sempre têm uma resposta para tudo. Todos terão feito alguma coisa “a favor das criancinhas e contra o câncer”. A prefeitura pode ter trabalhos nesta área. O ex-governador também. A ex-ministra idem, aliás esta chegou à pasta do Turismo lançando uma linha de crédito para os idosos. Ótimo, com a aposentadoria generosa que o brasileiro recebe, pode se endividar mais e viajar. Apenas uma medida para privilegiados. Esse, aliás, é um grande erro quando o tema é a proteção ao idoso: olhar o envelhecimento com os olhos da publicidade, como uma grande oportunidade de público consumidor. Tal qual a maioria dos políticos os olham na hora de pedir-lhes os votos. Mas nem sempre dá certo. Hillary que o diga.

enviada por Jorge Felix



16/07/2008 11:11

Franceses serão obrigados a trabalhar mais

Click na palavra longevidade aqui em cima ou no link abaixo para ler "Previdência na França: 41 anos de contribuição!", texto sobre a reforma previdenciária francesa.

http://jofelongevidade.blig.ig.com.br/

enviada por Jorge Felix



13/07/2008 19:55

Um apelo a Fernanda Montenego

"Fernanda Montenegro é Capitu" ainda nem estreiou, mas será o espetáculo do ano.

Resta ao Brasil, um apelo à atriz. Leia na aba TEATRO. É só clicar na palavra, aqui em cima, e ter acesso ao post.

enviada por Jorge Felix



11/07/2008 17:54

Era uma vez um empresário chamado Eike...

A imprensa brasileira precisa explicar aos leitores quem, afinal, é Eike Batista, e, provavelmente, só poderá fazer isto acompanhada de um pedido de desculpas.

Em outubro do ano passado, postei aqui a nota "Eike Batista ameaça a Juréia", criticando os jornais por abandonarem este assunto.

Coincidência ou não, os jornais paulistas e cariocas passaram a dedicar espaço significativo ao empreendimento do empresário. Uma simples pesquisa no arquivo dos jornais mostrará isso.

O empreendimento de Eike está cercado de suspeitas. O então prefeito de Peruíbe, Zé Preto, já morto, é acusado de aceitar condições pouco ortodoxas da empresa de Eike. Propriedades deste senhor, por coincidência, ficam bem próximas do local onde será construido o porto. Até as areias negras de Peruibe sabem disso.

Pois bem, logo depois de Eike ganhar a grande imprensa como uma ameaça ao meio-ambiente, eis que a mesma imprensa (jornais e revistas), atendendo a uma estratégia de comunicação (muito competente, aliás), passou a informar a seus leitores que aquele mesmo Eike era um empresário vencedor.

Um autêntico "animal spirit", destemido e que conseguiu vencer no embate capitalista com a mesma garra que pilota suas lanchas e a mesma sedução que submeteu-se Luma de Oliveira, sua ex-mulher. E mais: segundo revistas consideradas, sites de prestígio e jornais influentes, Eike fez isso tudo sem nenhuma ajuda do pai, o ex-ministro Eliezer Batista.

Agora, a operação da polícia federal nos informa que há outro Eike, que precisa ser descoberto pela imprensa. Talvez. Um Eike suspeito de algo ilícito no Amapá.

De todos que deram grande espaço ou capa às peripécias bilionárias de Eike Batista, mostrando como o capitalista empreendedor pode chegar, sim, à lista dos mais ricos da Forbes, se for um corajoso, um audacioso, um visionário, o único veículo que mostrou-se cético a este "conto de fadas" foi a Época Negócios.

Vejam lá. Comparem as capas. Época Negócios disse que esse tal de Eike era, pelo menos, polêmico. Salvou-se.

Nós, assinantes, aguardamos a retificação dos outros veículos. Uma espécie de recall - já que está na moda - das notícias sobre Eike.

Leia o post "Eike Batista ameaça a Juréia" no link:

http://jofe.blig.ig.com.br/2007/42/eike-batista-ameaca-a-jureia.html
enviada por Jorge Felix



06/07/2008 18:30

"Cacetada" ou só um tapinha?

Há algumas contradições na entrevista do ministro Guido Mantega, no Estadão deste domingo.

Sua avaliação sobre a atual crise internaciontal é bastante razoável e aceitável, ou seja, estamos diante de um fim de ciclo capitalista. Acredito que essa seja uma opinião de consenso.

Mas as afirmações sobre a conjuntura econômica interna exigem do leitor um esforço para casar as causalidades e conseqüências do quadro desenhado pelo ministro para sustentar a tese da ausência de risco de uma “cacetada” – aliás, este talvez seja um termo acadêmico para subida brusca dos juros que certamente o acompanhará, agora, pelo resto da vida.

Antes de enumerar essas contradições, outro ponto a favor do ministro. Mantega – pelo menos o competente colega Ribamar Oliveira não publicou – evitou o discurso fácil de responsabilizar as manchetes de jornais. Quando essas manchetes chegaram aos jornais, sabemos nós que vamos ao supermercado, a inflação já era assunto no país inteiro, sobretudo nas gôndolas de supermercados entre consumidores – o chamado lado real da economia.

Ainda está para ser registrado na ampla literatura econômica o dia em que jornal produziu inflação. Os próprios colegas tendem a atribuir à imprensa poderes que nós, definitivamente, nunca tivemos e nem teremos.

Mas Mantega deixa claro que o diagnóstico é de inflação importada. Correto. Ainda é impossível medir a intensidade deste processo, acredita o ministro. O governo, segundo ele, tomou medidas fortes, ainda difíceis de terem seus efeitos medidos.

Logo, os juros futuros subiram significativamente. Esse pode ser um ponto a favor para conter o investimento. Mas não a demanda, o que só piora o quadro.

Se existem, portanto, como diz, tantas “coisas que não dependem de nós”, como garantir que, mesmo que o Banco Central passe a atuar buscando o teto da meta e não mais o centro, a “cacetada” possa ser evitada?

Outra coisa. Apesar de o governo fingir que não vê que foi o primeiro a indexar a economia e que a indexação está espreguiçando com os braços bem alongados - a despeito de haver concordância de que os baixos salários são os que mais sofrem com a inflação de alimentos – este é o fator que demandará o primeiro, digamos, tapa na economia. Mas, para usar a mesma linguagem acadêmica de Mantega, o ministro pode achar que mesmo com os juros já tão altos, só um tapinha não dói.

enviada por Jorge Felix



05/07/2008 17:34

Bafômetro: quem pagou estava bêbabo?

Ou o preço do bafômetro está caro mesmo ou quem pagou 7 mil reais por cada aparelho estava bêbado.

Em fevereiro do ano passado, postei aqui a estranheza quanto ao valor dos bafômetros, comprados, na época, sem licitação.

Agora, com a lei seca, o tema vem à baila.

Na época, a assessoria de imprensa da Polícia Federal não respondeu aos meus questionamentos feitos por telefone e email.

Convido os leitores para lerem:

http://jofe.blig.ig.com.br/2007/08/bafometro-custa-quase-r-7-mil.html

enviada por Jorge Felix



24/06/2008 23:47

Dona Ruth: estudiosa da imigração japonesa

Se o príncipe Naruhito fosse avisado a tempo da morte de Dona Ruth bem que poderia ir ao enterro. Ela merecia. Seu principal legado acadêmico é o trabalho sobre a imigração japonesa “Estrutura familiar e mobilidade social – um estudo dos japoneses no estado de SP”.

Nenhum telejornal da noite lembrou esta coincidência: sua morte ocorrer justo durante a visita real e no ano do centenário.

No entanto, o melhor de dona Ruth foi seu posicionamento político. Sua postura diante do poder. Sua distinção do público e do privado, que todos testemunhamos durante os anos FHC em Brasília e em inúmeras viagens ao exterior.

Em seu trabalho, a antropóloga destacou a importância econômica dos imigrantes japoneses – a despeito de apenas 192 mil pessoas chegarem ao Brasil até 1952. Seu livro mereceu uma edição trilíngue em 1998.

Como pesquisadora, dona Ruth mostrou como, apesar de obterem uma mobilidade social importante, os imigrantes japoneses – ou descendentes destes – apenas trocaram as profissões agrárias de seus pais e avós por modestas posições nos serviços e no comércio urbanos. Era quase uma denúncia.

O trabalho – tese de doutorado de dona Ruth – influenciou o intelectual Fernando Henrique e chamou a atenção deste para o problema dos imigrantes japoneses, que, a despeito da importância econômica para o estado de São Paulo, como mão-de-obra qualificada eram presos e punidos socialmente por insistirem, com todo o direito, de manter suas tradições. Isso era um fato que os excluía de certa forma – e ainda os exclui de maior mobilidade social na sociedade brasileira.

Em 1985, Fernando Henrique faz palestra sobre o tema na III Convenção Panamericana Nikkei, em São Paulo, usando muito do trabalho da mulher, escrito ainda na década de 1970.

P.S. Agradeço aos leitores que corrigiram bicentenário. É que escrevi tanto sobre o bicentenário da chegada da família real,que me confundi. É claro que é centenário e já corrigi. Obrigado.

enviada por Jorge Felix



09/06/2008 12:55

Saúde: solução é gastar mais

Leia comentário sobre o livro "Europe´s coming demographic challenge: unlocking the value of health", de Nicholas Eberstadt e Hans Groth no blog de Longevidade.

É só clicar na palavra Longevidade aqui em cima.

Em artigo na revista The American, de junho, Eberstadt assina artigo em defesa da ampliação dos gastos em saúde. É uma ótima leitura dentro da discussão sobre a criação da CSS, ou nova CPMF.

O único problema, em se tratando de Brasil e pela experiência corrente, é garantir que o gasto da arrecadação seja destinado mesmo para a Saúde.

Essa história de qualidade do gasto até é importante. Há corrupção e desperdício, como se sabe, mas a dinâmica populacional - e experiências internacionais mostram isso - irá obrigar, sim, os governos a gastarem melhor e muito mais na área de Saúde.


enviada por Jorge Felix






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